Adelina Gomes | bio

Adelina-Gomes-1_editada.jpg

Moça pobre, filha de camponeses, nasceu em 1916, na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro. Fez o curso primário e aprendeu variados trabalhos manuais numa escola profissional. Era tímida e sem vaidade, obediente aos pais, especialmente apegada à mãe. Aos 18 anos, apaixonou-se por um homem que não era aceito pela sua mãe. Tornou-se cada vez mais retraída e agressiva, o que levou a família a interná-la. Não houve dificuldade para que aceitasse pintar quando começou a frequentar o ateliê de pintura em 1946. 

Segundo depoimento do artista Almir Mavignier, “agressiva e perigosa” foi a descrição a ela atribuída, o que desaconselharia sua presença no ateliê. “Interessado, porém, nas bonecas que ela fazia no hospital, fui buscá-la num dia chuvoso, protegendo-a com um guarda-chuva. Essa atenção, tão normal naquelas circunstâncias, deve ter contribuído para conquistar sua confiança.”

Inicialmente dedicou-se ao trabalho em barro, modelando figuras que impressionam pela sua semelhança com imagens datadas do período neolítico. São mulheres corpulentas, majestosas. Segundo Nise da Silveira, “foi em barro, segundo convinha, o mais primordial dos materiais de trabalho, que Adelina modelou as personagens assombrosas emergidas dos estratos mais profundos do inconsciente. (...). Esta foi a ocupação que ela preferia e que a absorvia durante longas horas.”
 

Na sua pintura pode-se acompanhar passo a passo as incríveis metamorfoses vegetais que ela vivenciou, originando o famoso estudo da Dra. Nise da Silveira comparando-as com o mito grego de Dafne. Dedicou-se também à confecção de flores de papel e aos trabalhos de crochê, tornando-se a partir de então, uma pessoa dócil e simpática, sempre concentrada em suas atividades, produzindo com intensa força de expressão cerca de 17.500 obras. Adelina faleceu em 1984.
Sua produção artística tornou-se objeto de exposições, filmes, documentários e publicações.

adelina_editada.png
usa_flag.png

Adelina was a daughter of peasants, born into a poor family in 1916 in the city of Campos, Rio de Janeiro state. She went to primary school and learned various manual jobs at a vocational school. She was shy and modest, dutiful towards her parents, especially attached to her mother. At 18 she fell in love with a man of whom her mother didn’t approve. She became increasingly withdrawn and aggressive, which led to her family confining her.

There was no difficulty in having her take up painting when she began to attend the painting studio in 1946. According to the testimony of artist Almir Mavignier, he was told she was “aggressive and dangerous”, a description which advised against her presence in the studio. “However, I was interested in the dolls she had made in the hospital and went to pick her up on a rainy day, protecting her with an umbrella. This gesture, so normal in those circumstances, must have contributed to gaining her trust.”
At first, she dedicated herself to working with clay, sculpting figures that impress us with their similarity to images from the Neolithic period.

They are robust, majestic women. According to Nise da Silveira, “it was in clay, as appropriate, the most primordial of work materials, that Adelina sculpted her amazing characters, emerging from the deepest strata of the unconscious. (...) This was the occupation that she chose and that absorbed her for long hours. 

In her painting we can follow, step by step, the incredible plant metamorphoses that she experienced, which brought about the famous study by Dr. Nise da Silveira, who compared her work with the Greek myth of Daphne. Adelina also devoted herself to making paper flowers and works with crochet. From then on she became a docile and friendly person, always focused on her activities, with intense expression producing about 17.500 works. Adelina passed away in 1984. Her artistic output, and the important research based on her work that Dr. Nise developed over many years, became the subject of exhibitions, documentaries and publications.